Não Erre Mais: o caso do "literalmente"
- Danielle Lins

- 14 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 19 horas
Um quadro novo aqui no Conto e Reconto para você nunca mais errar no português, e ainda entender por que certas palavras viraram vício de linguagem
Depois de ouvir "literalmente" repetido feito bordão em um único vídeo de rede social, resolvi que precisava abrir um espaço aqui no blog só para isso. Porque um vício de linguagem desses incomoda tanto numa conversa informal quanto numa reunião de trabalho, e ninguém merece.
Nasce hoje o "Não Erre Mais", um quadro do Conto e Reconto para explicar, sem português difícil, aquelas palavras e expressões que as pessoas andam usando equivocadamente por aí, principalmente nas redes sociais. E para estrear com chave de ouro (ou melhor, com "letra" mesmo), vamos falar da campeã absoluta dos vídeos virais: literalmente.
O que "literalmente" realmente significa
A palavra vem do latim littera, que quer dizer "letra". Ou seja: quando algo acontece literalmente, aconteceu ao pé da letra, exatamente como foi descrito, sem nenhuma figura de linguagem no meio do caminho.
Mas vamos por partes. Veja o exemplo correto: "Depois da notícia, ele literalmente caiu no chão." Quer dizer que a pessoa caiu de verdade. O corpo foi ao chão. Nada de exagero, nada de força de expressão: foi um fato, palavra por palavra.
Agora repare no uso incorreto: "Eu literalmente morri de rir com esse vídeo." Ninguém morreu. A pessoa riu muito, talvez até tenha chorado de tanto rir, mas seguiu viva rolando o feed para o próximo vídeo. Nesse caso, "literalmente" está sendo usado como reforço emocional, quase um tempero para dar mais intensidade à frase. O problema é que ele empresta o sentido oposto ao que a palavra carrega: em vez de reforçar a verdade do fato, ele vira sinônimo de exagero.
Por que vale a pena corrigir
Não é implicância da minha parte, muito menos quero mostrar que entendo mais de português. É que "literalmente" tem um trabalho muito específico na língua: ele existe para marcar que uma frase não é força de expressão. Quando ele é usado para todo e qualquer exagero, perde a função e vira só um preenchimento vazio, parecido com aquele "tipo assim" que se repete sem parar na fala de alguém.
E tem um efeito colateral interessante: quando alguém realmente precisa dizer que algo aconteceu ao pé da letra, a palavra já perdeu força, porque foi banalizada.
Como usar "literalmente" sem saia justa
A regra é simples e cabe numa frase: só use "literalmente" quando o que você está descrevendo aconteceu de verdade, sem nenhuma metáfora envolvida.

Se a intenção é dar ênfase a algo que é exagero, existem outras opções que cumprem esse papel sem cometer o deslize:
"Eu quase morri de rir"
"Ri muito mesmo"
"Foi surreal de tão engraçado"
Pronto. E de quebra, o texto (ou a fala) ainda ganha em variedade, porque ninguém precisa recorrer à mesma palavra a cada três frases. Mas se ainda bater aquela dúvida, faça esse teste mental para nunca mais errar: antes de soltar o "literalmente", substitua a palavra por "ao pé da letra" e veja se a frase ainda faz sentido.
"Eu, ao pé da letra, morri de rir." Não faz sentido, então "literalmente" está errado ali.
"Ele, ao pé da letra, caiu no chão." Faz sentido perfeito, então o uso está correto.
Guarde esse truque. Ele funciona para qualquer situação e evita a saia justa.
Agora me conta: você usava corretamente ou costumava errar? Qual palavra ou expressão te gera dúvida e você gostaria de ver por aqui?
Um beijo,
Fique com Deus e até o próximo post.
Gostou desse conteúdo? Clique no coração, deixe seu comentário e compartilhe o artigo com mais pessoas.




Comentários